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Bertone Pirana: o Jaguar E-Type italiano que virou sonho raro de colecionador

Protótipo criado sobre base Jaguar uniu motor 4.2, carroceria Bertone e desenho de Marcello Gandini antes de inspirar o Lamborghini Espada

Bertone Pirana visto de frente e de lado
Imagem: Site opumo

Introdução

O Bertone Pirana é um daqueles carros que parecem ter nascido de uma pergunta simples, mas ambiciosa: como seria o gran turismo perfeito?

A resposta veio em 1967, quando um grupo ligado ao jornal The Weekend Telegraph decidiu transformar um Jaguar E-Type 2+2 em algo completamente novo. O resultado foi um protótipo único, com base britânica, carroceria italiana e uma presença visual tão marcante que acabou influenciando um dos grandes GTs da Lamborghini.

O mais curioso é que o Pirana nunca nasceu para ser produzido em série. Ele foi criado como um carro dos sonhos, uma experiência de design e engenharia construída com componentes reais, disponíveis e funcionais.

A ideia por trás do Pirana

O projeto nasceu após uma visita ao Salão de Genebra de 1967. John Anstey, editor do The Weekend Telegraph, Alexander Low, Geoffrey Axbey e Courtenay Edwards começaram a discutir o que seria o GT ideal.

A conversa poderia ter ficado no campo das ideias, mas Anstey decidiu levar o projeto adiante. A regra era clara: o carro deveria ser construído com componentes já em produção e acessíveis ao público.

O lema era velocidade com luxo. Para isso, a base escolhida não poderia ser outra: um Jaguar E-Type 2+2 com motor seis cilindros em linha de 4,2 litros, fornecido com apoio de Sir William Lyons, fundador da Jaguar.

Bertone Pirana visto de frente
Imagem: Site opumo
Bertone Pirana visto pela traseira
Imagem: Site opumo

Jaguar por baixo, Bertone por fora

A partir da base do E-Type, a Bertone assumiu a missão de transformar o carro em um GT completamente diferente.

Nuccio Bertone aceitou o desafio e encarregou Marcello Gandini de redesenhar a carroceria. Embora o Pirana compartilhasse proporções próximas às do E-Type, o resultado final praticamente não lembrava o Jaguar original.

A carroceria fastback de dois lugares ficou mais larga, com 63,5 mm a mais que o E-Type. O conjunto tinha presença mais baixa, sofisticada e claramente italiana. A construção usava aço em praticamente toda a carroceria, com exceção do capô em alumínio.

Bertone Pirana visto de lado
Imagem: Site opumo

Um interior pensado como GT de luxo

O Pirana também recebeu soluções sofisticadas para a época. A Triplex forneceu vidros fumê Sundym, pensados para reduzir a incidência solar sobre os ocupantes. A Lucas ficou responsável pelas luzes, enquanto a Smith forneceu o sistema de ar-condicionado.

A Smith também adicionou um gravador e reprodutor de fitas, além de um dispositivo de alerta sonoro que avisava quando o motorista ultrapassava uma velocidade definida.

A cabine recebeu couro Connolly feito sob medida, chamado Anela, com tonalidade arenosa obtida por pigmentos especiais. A Britax forneceu cintos de segurança com fitas combinando com o estofamento.

Interior do Bertone Pirana
Imagem: Site opumo

O carro que virou estrela

O Bertone Pirana ficou pronto a tempo do Salão Internacional do Automóvel Britânico, em Earls Court, em outubro de 1967. A recepção foi imediata: o carro apareceu em capas de revistas ao redor do mundo e se consolidou como um dos conceitos mais comentados daquele período.

O custo de construção foi estimado em 20 mil libras na época, equivalente a cerca de 315 mil libras em valores de 2025, segundo o texto-base. Esse valor mostra o nível de ambição do projeto.

Relação com o Lamborghini Espada

Um dos pontos mais importantes do Pirana está em sua influência sobre o futuro Lamborghini Espada. O desenho criado por Gandini no Pirana serviu como referência para o GT de quatro lugares da Lamborghini, apresentado pouco depois.

A semelhança não é coincidência. O Pirana funcionou como uma espécie de ensaio visual para uma linguagem que a Bertone levaria adiante em outros projetos. Por isso, o carro é relevante não apenas para a história da Jaguar, mas também para a evolução do design italiano dos anos 1960.

O desaparecimento e o retorno

Depois de ser exibido em Turim, Nova York e Montreal, o Pirana foi leiloado por 16 mil libras. A partir desse ponto, sua história fica menos clara. Algumas versões indicam que ele permaneceu no Reino Unido até 1974 antes de ir para os Estados Unidos. Outras dizem que ele chegou à América do Norte já em 1968 e nunca mais saiu.

O fato é que o carro desapareceu por décadas e passou muito tempo praticamente fora do radar. Esse mistério só terminou quando o Pirana reapareceu totalmente restaurado e foi vendido pela RM Sotheby's em 2019 por 324 mil dólares.

Motor do Bertone Pirana
Imagem: Below The Radar

Valores convertidos para reais

Para referência atual, considerando o câmbio aproximado de 1 dólar a R$ 4,91 e 1 libra a R$ 6,65, os valores históricos citados ficam assim em conversão direta. A cotação varia ao longo do dia e não inclui impostos, taxas de importação, custos de leilão ou despesas de transporte.

Valores

Conversão aproximada para reais

Valor original Contexto Conversão aproximada
US$ 324.000 Venda pela RM Sotheby's em 2019 R$ 1.590.840
£20.000 Custo estimado de construção em 1967 R$ 133.000
£315.000 Equivalente estimado em valores de 2025 R$ 2.094.750
£16.000 Leilão após exibições internacionais R$ 106.400
£17.000 Recomissionamento feito após 2014 R$ 113.050
£4.500 Escapamento sob medida em aço inoxidável R$ 29.925

Ficha técnica do Bertone Pirana

Ficha técnica

Bertone Pirana 1967

Modelo Bertone Pirana
Ano 1967
Base Jaguar E-Type 2+2
Motor Seis cilindros em linha
Cilindrada 4,2 litros
Carroceria Bertone
Designer Marcello Gandini
Configuração Gran turismo fastback de dois lugares
Construção Aço, com capô de alumínio
Origem do projeto The Weekend Telegraph
Produção Exemplar único
Custo estimado de construção £20.000 em 1967
Venda em 2019 US$ 324.000

Por que o Pirana importa

O Bertone Pirana é importante porque mostra uma época em que o design automotivo ainda permitia ousadias quase artesanais.

Ele combina a mecânica confiável e elegante do Jaguar E-Type com a visão futurista da Bertone. Ao mesmo tempo, antecipa elementos que seriam vistos no Lamborghini Espada, tornando-se uma ponte entre dois mundos: o esportivo britânico e o gran turismo italiano.

Mais do que um simples E-Type recarrozado, o Pirana é uma peça de design histórico.

Conclusão

O Bertone Pirana nasceu como um carro dos sonhos, sem intenção de produção e sem compromisso comercial. Justamente por isso, tornou-se tão especial.

Ele une Jaguar, Bertone, Gandini e a busca pelo GT perfeito em um único exemplar. Hoje, com sua história recuperada e valor milionário em reais, o Pirana mostra que alguns protótipos não precisam chegar às ruas em grande escala para deixar marca na indústria.

Fonte: artigo baseado em informações publicadas pelo site Below The Radar. Texto escrito com apoio de assistência de IA para verificação gramatical e inteiramente revisado pelo editor.