Bugatti Type 57 Grand Raid Usine 1934: o roadster que fez Paris parar
Exibido no Salão de Paris de 1934, o Grand Raid levou a elegância da Bugatti para a competição e virou uma das criações mais marcantes da era pré-guerra.
O Bugatti Type 57 Grand Raid Usine ocupa um espaço muito específico na história da marca. Exibido no Salão de Paris de 1934, o roadster apresentou uma leitura mais esportiva do Type 57, com carroceria em alumínio, desenho aerodinâmico e soluções voltadas à condução.
O nome “Usine” não foi uma designação oficial da Bugatti, mas acabou sendo associado a este exemplar. O desenho costuma ser atribuído a Jean Bugatti, enquanto a carroceria foi executada pela Gangloff, parceira tradicional da marca em Molsheim.
Mais do que um carro raro, o Grand Raid chama atenção pela coerência do projeto. A forma, a posição de condução e o histórico em competição apontam na mesma direção e ajudam a explicar por que esse Bugatti segue tão lembrado.
O Bugatti mostrado em Paris em 1934
O Grand Raid foi revelado ao público em outubro de 1934, no Salon de l’Automobile, em Paris. Dentro da família Type 57, ele representava uma proposta mais próxima da ideia de um carro de luxo com vocação esportiva real.
O visual concentrava alguns dos elementos que definem o modelo até hoje: capô longo, para-brisa em V, para-lamas alongados e apoios traseiros integrados. O conjunto deu ao roadster uma silhueta baixa, limpa e muito diferente do padrão adotado em boa parte dos automóveis de luxo da época.
A combinação em preto e amarelo, associada às preferências de Ettore Bugatti, reforçou ainda mais a identidade visual do carro e ajudou a transformá-lo em uma das aparições mais marcantes daquele salão.
Quando elegância e competição dividiam o mesmo carro
O Type 57 Grand Raid não foi pensado apenas para impressionar visualmente. A própria Bugatti destaca que a coluna de direção teve o ângulo alterado para posicionar o motorista mais para trás, e que câmbio, freio de mão e pedais também foram reposicionados.
Esses ajustes mostram que a proposta esportiva fazia parte do projeto. A carroceria feita pela Gangloff reforçava esse objetivo com linhas longas e fluidas, enquanto a ergonomia buscava uma relação mais direta entre carro e motorista.
Esse ponto ajuda a diferenciar o Grand Raid de outros Type 57 mais lembrados, como Atlantic e Atalante. Aqui, a ênfase estava menos no gran turismo puro e mais na tentativa de levar o Type 57 para um terreno claramente esportivo.
Paris-Nice, Chavigny e a passagem pela competição
Pouco depois da apresentação em Paris, o Grand Raid foi usado no Paris-Nice-Paris com Pierre Veyron ao volante. O sobrenome do piloto ganharia projeção histórica muitas décadas mais tarde, quando batizou o primeiro hipercarro Bugatti da era moderna.
Em abril de 1935, o roadster voltou a aparecer em contexto competitivo ao vencer a subida de montanha de Chavigny com Robert Benoist. Esse resultado reforça o peso histórico do carro e mostra que a proposta esportiva não ficou só no discurso visual.
Com isso, o Grand Raid passou a reunir três elementos raros no mesmo automóvel: apresentação marcante, desenho muito particular e participação real em prova.
Ficha técnica do Bugatti Type 57 Grand Raid Usine
Dados confirmados pela Bugatti
Ficha técnica essencial do Bugatti Type 57 Grand Raid Usine
| Modelo | Bugatti Type 57 Grand Raid Usine |
|---|---|
| Ano | 1934 |
| Configuração | Roadster one-off |
| Origem | Molsheim, França |
| Carroceria | Alumínio |
| Coachbuilder | Gangloff |
| Desenho | Tradicionalmente atribuído a Jean Bugatti |
| Motor | Oito cilindros em linha, 3.257 cc, aspirado |
| Comando de válvulas | DOHC, 2 válvulas por cilindro |
| Alimentação | Carburador Stromberg UUR2 |
| Potência | 135 bhp a 4.500 rpm |
| Torque | 245 Nm |
| Câmbio | Manual de 4 marchas |
| Tração | Traseira |
| Chassi estrutural | Steel cross-braced ladder frame |
| Suspensão dianteira | Eixo rígido, molas semi-elípticas e amortecedores telescópicos |
| Suspensão traseira | Eixo rígido, molas quarto-elípticas e amortecedores telescópicos |
| Freios | Tambores acionados por cabo |
| Entre-eixos | 3.300 mm |
| Cores do exemplar | Preto e amarelo |
| Velocidade máxima | Não divulgada no material oficial consultado |
| 0 a 100 km/h | Não divulgado no material oficial consultado |
O conjunto técnico ajuda a entender o peso do modelo em seu tempo. O oito-em-linha de 3,257 litros, com duplo comando, fazia parte do repertório refinado que sustentou a reputação da Bugatti nos anos 1930. Em um automóvel leve e muito elaborado para o período, os 135 bhp tinham relevância real.
Mais do que um número isolado, o que importa aqui é o conjunto. Estrutura avançada, ergonomia ajustada, carroceria leve e leitura aerodinâmica muito clara colocavam o Grand Raid em uma posição rara entre os grandes carros europeus da década.
Da restauração ao Louwman Museum
Depois da guerra, o carro passou por novos proprietários e recebeu alterações, inclusive na área dos faróis integrados aos para-lamas. Essas mudanças foram revertidas mais tarde, devolvendo o roadster à configuração com que havia sido apresentado em Paris.
Desde 2001, o Grand Raid está no Louwman Museum, em Haia. Exibido como apareceu no salão de 1934, ele preserva a imagem com que a Bugatti apresentou esse projeto ao público.
Essa preservação ajuda a explicar por que o modelo segue despertando tanto interesse. O Grand Raid reúne raridade, identidade visual forte e uma trajetória histórica bem documentada.
Por que esse roadster ainda impressiona tanto?
O Type 57 Grand Raid Usine continua relevante porque concentra características difíceis de reunir no mesmo carro: raridade, identidade visual e histórico comprovado.
Mais de noventa anos depois, ele segue como um dos Bugatti pré-guerra mais particulares já apresentados pela marca e como um dos exemplares que melhor traduzem a aproximação entre luxo, engenharia e ambição esportiva naquele período.
Fontes oficiais e institucionais consultadas para a apuração: Bugatti Newsroom e Louwman Museum. Imagens: Bugatti / Divulgação.