AutoHub
Carros Antigos | Por Redação AutoHub |

Mazda RX-3 1973: o cupê rotativo que abriu caminho para o RX-7

Com base no exemplar oficial de 1973 destacado pela Mazda, com motor 12A, 110 bhp e uma trajetória marcante nas pistas, o RX-3 ajudou a transformar a marca em referência mundial quando o motor rotativo ainda precisava provar seu valor.

Mazda RX-3 1973 em imagem oficial da Mazda
Foto: Mazda / Divulgação

O Mazda RX-3 1973 ocupa um lugar especial na história da marca porque não depende apenas do charme de um cupê japonês dos anos 1970. Ele faz parte do momento em que a Mazda transformou o motor rotativo em produto, em exportação, em vitória nas pistas e em identidade mecânica.

O modelo nasceu em setembro de 1971, mas o exemplar destacado no material oficial da Mazda é de 1973. Esse detalhe importa. Em 1973, o RX-3 já não era só uma aposta nova dentro da linha. Era um carro em plena ascensão, com vendas fortes, presença internacional e uma reputação esportiva que começava a incomodar rivais muito maiores.

Antes do RX-7 virar o grande símbolo popular do motor rotativo, o RX-3 já fazia esse trabalho com menos glamour e muito resultado. Foi vendido em carrocerias cupê, sedã e perua, disputou corridas em diferentes continentes e ajudou a colocar a Mazda no mapa global como fabricante capaz de fazer algo diferente sem abrir mão de desempenho.

1973
ano do exemplar destacado pela Mazda
12A
motor rotativo de dois rotores
110 bhp
potência informada no press kit
286.757
unidades produzidas até 1978
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial com destaque para o perfil
Foto: Mazda / Divulgação

Antes do RX-7, a Mazda já tinha um rotativo que vencia e vendia

A história do RX-3 começa num período em que a Mazda já havia mostrado ao mundo o Cosmo 110S, o R100 Familia Coupé, o Luce R130 e o RX-2. A marca não estava apenas experimentando o motor rotativo. Estava criando uma família inteira em torno dessa arquitetura e tentando fazer dela uma vantagem real de mercado.

O RX-3 chegou como um carro menor e mais esportivo que o RX-2. No Japão, o modelo com motor rotativo recebeu o nome Savanna. Nos mercados de exportação, ficou conhecido como RX-3. As versões com motor a pistão usaram outros nomes, como Grand Familia, 808 e 818, conforme o país.

Essa estratégia de nomes pode parecer confusa hoje, mas ajudou a Mazda a oferecer o mesmo projeto em diferentes níveis de preço e desempenho. O RX-3 era o lado mais ousado dessa família: faróis redondos duplos, emblemas ligados ao motor rotativo e uma proposta claramente mais esportiva.

Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 3
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 4
Foto: Mazda / Divulgação

O exemplar de 1973 mostra por que o RX-3 ficou tão desejado

O material oficial da Mazda destaca um RX-3 Deluxe 1973 na cor Medium Teal Blue. O carro preserva o tamanho compacto, a carroceria limpa e a postura baixa que tornaram o modelo tão reconhecível entre os clássicos japoneses da década de 1970.

A configuração informada pela Mazda traz o motor 12A twin-rotor, com 1.146 cc e 110 bhp a 7.000 rpm. O conjunto aparece associado a uma transmissão manual de cinco marchas. No caso deste exemplar, a própria ficha do press kit indica câmbio de RX-7, portanto esse ponto deve ser lido como característica do carro fotografado, não como regra universal de fábrica para todos os RX-3 de época.

Mesmo assim, os números ajudam a explicar o apelo do modelo. O RX-3 do material oficial registra 0 a 62 mph em 10,8 segundos e velocidade máxima de 115 mph, equivalente a cerca de 185 km/h. Para um cupê compacto do início dos anos 1970, era desempenho suficiente para dar personalidade própria ao carro.

Mazda RX-3 1973 em imagem oficial com destaque para a dianteira
Foto: Mazda / Divulgação

O desenho era simples, mas carregava a assinatura certa

O RX-3 não precisava de exagero para parecer esportivo. A força visual vinha da proporção: capô bem marcado, cabine compacta, traseira curta e uma frente que distinguia o rotativo das versões convencionais. Os faróis duplos redondos e os detalhes de identificação faziam o carro parecer mais afiado sem transformar o conjunto em caricatura.

A carroceria cupê é a mais lembrada, mas a amplitude da família também explica a importância comercial do modelo. A Mazda ofereceu o RX-3 em cupê, sedã e perua, o que ampliou a presença do motor rotativo para além do público interessado apenas em esportivos de nicho.

Esse equilíbrio entre carro de rua e vitrine técnica foi decisivo. O RX-3 tinha apelo de entusiasta, mas não ficou preso a uma imagem de peça experimental. Ele foi usado, vendido, exportado e testado no ambiente que mais expõe virtudes e fraquezas: as corridas.

Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 6
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 7
Foto: Mazda / Divulgação

Nas pistas, o RX-3 virou o adversário que ninguém podia ignorar

A carreira esportiva do RX-3 começou cedo. Em dezembro de 1971, o modelo venceu pela primeira vez no Fuji Tourist Trophy. Em maio de 1972, equipado com o motor 12A, o RX-3 conquistou uma dobradinha ampliada para 1º, 2º e 3º lugares no Fuji Touring Car Grand Prix.

A rivalidade com o Nissan Skyline deu ainda mais peso a essa fase. O RX-3 conquistou o título da classe Touring Car no Fuji Grand Champion em 1972, 1973 e 1975. Em 1976, no JAF Touring Car Grand Prix, alcançou sua 100ª vitória doméstica no automobilismo japonês.

Fora do Japão, o carro também fez barulho. Na Bathurst 1000, em 1975, Don Holland e Hiroshi Fushida venceram a classe e terminaram em 5º lugar geral, atrás apenas de Holdens V8. Nos Estados Unidos, um RX-3 terminou a Daytona 24 Hours de 1975 em 14º geral e 3º na classe.

Mazda RX-3 1973 em imagem oficial lateral
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 9
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 10
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial com destaque para detalhes da carroceria
Foto: Mazda / Divulgação

O RX-3 também ajudou a Mazda a crescer fora do Japão

A importância do RX-3 não se resume às pistas. Quando a produção terminou em 1978, a Mazda contabilizava 286.757 unidades do modelo. Isso fez do RX-3 o segundo rotativo mais vendido da marca, atrás apenas das três gerações do RX-7, que somaram 811.634 unidades.

O auge veio em 1973, com 105.819 unidades em um único ano. Naquele momento, as vendas totais de carros rotativos da Mazda já haviam alcançado 500.000 unidades, sinal de que a tecnologia estava deixando de ser uma curiosidade restrita aos primeiros projetos.

No Reino Unido, o RX-3 chegou em 1972 ao lado do 818. Segundo a Mazda, em 1973 o importador britânico vendeu três vezes mais RX-3 do que Mazda 818, apesar do preço mais alto. O dado resume bem o magnetismo do carro: havia opções mais baratas, mas o rotativo tinha uma imagem que o comprador comum não encontrava nos modelos convencionais.

Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 12
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 13
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 14
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 15
Foto: Mazda / Divulgação

Dados do Mazda RX-3 Deluxe 1973

Os números abaixo seguem o exemplar de 1973 informado no material oficial da Mazda. A ficha preserva as características do carro fotografado no press kit, incluindo observações de configuração do próprio veículo, como a transmissão manual de cinco marchas associada ao RX-7.

Dados oficiais do exemplar fotografado pela Mazda

Mazda RX-3 Deluxe 1973

Modelo Mazda RX-3 Deluxe
Ano do exemplar 1973
Nome no Japão Mazda Savanna
Cor do exemplar Medium Teal Blue
Motor 12A twin-rotor
Cilindrada equivalente informada 1.146 cc
Potência máxima 110 bhp a 7.000 rpm
Transmissão Manual de cinco marchas, indicada como câmbio de RX-7 no exemplar do press kit
0 a 62 mph 10,8 segundos
Velocidade máxima 115 mph, cerca de 185 km/h
Consumo combinado informado 25 mpg
Distância entre-eixos 2.286 mm
Comprimento 4.064 mm
Altura 1.372 mm
Peso 884 kg
Produção total do RX-3 286.757 unidades
Importância histórica Segundo rotativo mais vendido da Mazda, atrás apenas do RX-7
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 16
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 17
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial adicional
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 19
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 20
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial final
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 22
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial 23
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial de encerramento
Foto: Mazda / Divulgação
Mazda RX-3 1973 em imagem oficial de encerramento da galeria
Foto: Mazda / Divulgação

O RX-3 tem menos fama que o RX-7, mas não menos importância

O tempo colocou o RX-7 no centro da memória popular da Mazda rotativa, mas o RX-3 foi o carro que abriu boa parte desse caminho. Ele chegou antes, vendeu muito, correu muito e levou a tecnologia para ruas e pistas quando a marca ainda construía sua reputação fora do Japão.

Sua força está justamente nessa mistura. O RX-3 não foi apenas um cupê bonito com motor diferente. Foi um produto de volume relevante, um carro de exportação, uma ferramenta de competição e uma vitrine para a engenharia da Mazda em uma época em que o motor rotativo ainda precisava convencer o mundo.

Visto hoje, o Mazda RX-3 1973 funciona como uma peça central entre o pioneirismo do Cosmo e o sucesso posterior do RX-7. Não é o capítulo mais famoso da história, mas é um dos que explicam melhor como a Mazda ganhou autoridade para transformar o rotativo em assinatura.

Fontes oficiais consultadas para a apuração: Mazda Media Packs e Mazda UK. Imagens: Mazda / Divulgação.