Gordon-Keeble: o raro GT britânico com motor V8 Chevrolet e design de Giugiaro
Um dos apenas 99 exemplares produzidos entre 1964 e 1967, este Gordon-Keeble de 1965 é considerado um dos melhores sobreviventes da marca
Introdução
O Gordon-Keeble é um daqueles carros que parecem ter nascido de uma combinação improvável, mas brilhante: engenharia britânica, motor V8 americano e desenho italiano assinado por Giorgetto Giugiaro.
Produzido em baixíssima escala entre 1964 e 1967, o modelo se tornou um dos grandes GTs esquecidos dos anos 1960. Foram apenas 99 unidades fabricadas, o que faz de qualquer Gordon-Keeble um carro extremamente raro. Mas o exemplar de chassi número 93 tem um peso ainda maior dentro da história da marca.
Além de ser um dos últimos produzidos, este carro é reconhecido entre especialistas e entusiastas como um dos Gordon-Keeble mais originais e bem preservados existentes.
Um dos melhores Gordon-Keeble sobreviventes
O chassi número 93 foi concluído em novembro de 1965 e teve como primeiro proprietário o aristocrata escocês Simon McKay, também conhecido como Barão Tanlaw.
Mais tarde, ainda na década de 1960, o carro passou pelas mãos do piloto Willie Green e, nos anos 1970, ganhou destaque em concursos de elegância enquanto pertenceu a Tony Smallbone.
Depois disso, o modelo integrou a famosa Patrick Collection, em Birmingham, antes de ser adquirido por Victor Gauntlett, nome importante na história da Aston Martin. Ou seja, este não é apenas um Gordon-Keeble raro. É um carro com histórico forte, passagem por coleções relevantes e ligação com nomes influentes do automobilismo britânico.
Restauração com especialista da marca
Durante os anos 1990, o chassi 93 foi adquirido por um colecionador que confiou sua restauração a Ernie Knott, fundador do Owners’ Club e uma das maiores autoridades mundiais em Gordon-Keeble.
Knott reconstruiu o carro com padrão de concurso, preservando sua originalidade. Após a restauração, o veículo permaneceu guardado em ambiente seco, o que ajudou a manter sua condição excepcional.
Em 2014, o carro foi comprado por um entusiasta da marca que já havia visto este mesmo exemplar em Silverstone em 1970, quando chegou ao evento no Gordon-Keeble de seu pai. O novo proprietário realizou uma recomissionamento de cerca de 17 mil libras e voltou a usar o carro de forma cuidadosa.
Mesmo hoje, o hodômetro ainda registra menos de 40 mil milhas.
Visual clássico com mecânica americana
Este Gordon-Keeble se apresenta em tom burgundy metálico, combinado com interior creme. A configuração reforça o caráter elegante do modelo, que sempre foi pensado como um gran turismo sofisticado, rápido e confortável.
O carro ainda acompanha amplo histórico documental, incluindo manual original e catálogo de época. Em 2024, passou por uma revisão extensa realizada pela Desmond J Smail, com direito à fabricação de um sistema de escapamento sob medida em aço inoxidável, a um custo de quase 4.500 libras.
Esse cuidado ajuda a explicar por que o chassi 93 é frequentemente apontado como um dos melhores Gordon-Keeble existentes.
A origem do Gordon-Keeble
A história do Gordon-Keeble começou com John Gordon, que já havia participado da marca Peerless no fim dos anos 1950. Sua ideia era criar um carro que combinasse a engenharia britânica com a força e a confiabilidade de um V8 americano.
Para isso, ele se juntou ao engenheiro Jim Keeble.
O resultado foi um GT de quatro lugares com chassi spaceframe, suspensão dianteira independente, eixo traseiro de Dion e freios a disco nas quatro rodas. Sob o capô, vinha um motor Chevrolet V8 de 5,3 litros, ligado a uma transmissão manual de quatro marchas.
A carroceria foi desenhada por um jovem Giorgetto Giugiaro, então na Bertone, e construída em fibra de vidro pela Williams & Pritchard, no Reino Unido.
Um GT rápido demais para ser esquecido
O protótipo do Gordon-Keeble foi apresentado no Salão de Genebra de 1960, mas a produção só começou quatro anos depois, em Eastleigh Airport, Southampton.
O lançamento oficial ocorreu no Savoy Hotel, em Londres, no início de 1964. Apesar da ótima recepção da imprensa, o projeto enfrentou dificuldades comerciais. O carro foi vendido por um preço abaixo do ideal, o fornecimento de componentes era irregular e a produção total acabou limitada a apenas 99 unidades.
Mesmo assim, o Gordon-Keeble foi um dos quatro lugares mais rápidos de sua época. A aceleração de 0 a 60 mph levava cerca de seis segundos, enquanto a velocidade máxima ficava próxima de 140 mph, algo em torno de 225 km/h.
Para um GT dos anos 1960, era um desempenho impressionante.
Por que ele é tão especial
O Gordon-Keeble tinha uma proposta diferente da maioria dos esportivos britânicos da época. Ele não era apenas um carro leve e nervoso, nem apenas um cupê luxuoso. Era um GT rápido, confortável e com forte personalidade.
A combinação entre motor Chevrolet, engenharia britânica e desenho italiano criou um carro difícil de classificar. Talvez por isso ele tenha conquistado um público pequeno, mas extremamente fiel.
Mesmo com produção limitada, muitos exemplares sobreviveram e seguem em uso, apoiados por um clube de proprietários ativo. Isso mostra que o carro nunca desapareceu completamente. Ele apenas se tornou um segredo bem guardado entre conhecedores.
Dados técnicos do modelo
Ficha técnica do Gordon-Keeble
| Ano | 1965 |
|---|---|
| Marca | Gordon-Keeble |
| Produção total | 99 unidades |
| Período de produção | 1964 a 1967 |
| Motor | Chevrolet V8 |
| Cilindrada | 5,3 litros |
| Câmbio | Manual de 4 marchas |
| Carroceria | Fibra de vidro |
| Design | Giorgetto Giugiaro, Bertone |
| Estrutura | Chassi spaceframe |
| Suspensão traseira | De Dion |
| Freios | Discos nas quatro rodas |
| 0 a 60 mph | Cerca de 6 segundos |
| Velocidade máxima | Cerca de 140 mph |
| Exemplar citado | Chassi número 93 |
| Quilometragem | Menos de 40 mil milhas |
| Preço | Venda acordada |
Conclusão
O Gordon-Keeble de chassi 93 é mais do que um carro raro. Ele representa uma época em que pequenas fabricantes ainda conseguiam criar máquinas sofisticadas, rápidas e cheias de personalidade.
Com motor V8 Chevrolet, desenho de Giugiaro, produção limitada e histórico excepcional, este exemplar reúne tudo o que torna um clássico desejável: raridade, originalidade, desempenho e uma história bem documentada.
Entre os GTs britânicos dos anos 1960, poucos são tão discretos e ao mesmo tempo tão fascinantes quanto o Gordon-Keeble.