Mercedes-Benz é multada em US$ 7,6 milhões após usar baterias diferentes das anunciadas em carros elétricos
A Mercedes-Benz foi multada em US$ 7,6 milhões na Coreia do Sul após reguladores concluírem que alguns de seus veículos elétricos foram vendidos com baterias diferentes das divulgadas ao público.
Segundo as autoridades, modelos como Mercedes-Benz EQE e Mercedes-Benz EQS foram promovidos como equipados com baterias da CATL, mas parte dos veículos utilizava células fornecidas pela Farasis Energy.
Investigação apontou informações incorretas nos materiais de venda
A multa foi aplicada pela Korea Fair Trade Commission (KFTC), órgão responsável pela regulação de concorrência no país.
De acordo com a investigação, materiais de marketing e manuais de vendas distribuídos às concessionárias descreviam de forma imprecisa a origem das baterias usadas em alguns modelos elétricos da marca.
Os documentos destacavam as vantagens e a liderança global das baterias da CATL, considerada a maior fabricante de baterias para veículos elétricos do mundo. No entanto, os reguladores descobriram que parte dos carros utilizava baterias da Farasis, uma fornecedora chinesa menos conhecida, informação que não foi incluída nos materiais destinados às concessionárias e clientes.
Como muitos vendedores dependiam dessas orientações para apresentar os veículos, as autoridades acreditam que diversos profissionais acabaram promovendo a tecnologia da CATL sem saber que alguns modelos utilizavam outro fornecedor.
Informações sobre fornecedores já eram conhecidas pela subsidiária
Segundo a comissão reguladora, a subsidiária coreana da Mercedes-Benz já tinha recebido informações detalhadas da sede na Alemanha desde 2021 sobre os diferentes fornecedores de baterias utilizados em sua linha de elétricos.
Mesmo assim, essas informações não teriam sido refletidas integralmente nos materiais de vendas utilizados no mercado local.
Incêndio em veículo elétrico deu início à investigação
A investigação ganhou força após um incêndio ocorrido em 2024 envolvendo um EQE estacionado em Incheon, na Coreia do Sul.
As autoridades descobriram posteriormente que o veículo utilizava células de bateria fornecidas pela Farasis Energy, o que levou os reguladores a investigar se os consumidores tinham sido devidamente informados sobre o fornecedor das baterias.
O incêndio aconteceu em uma garagem subterrânea de um complexo residencial, causando grandes prejuízos. Relatórios indicam que mais de 100 veículos próximos foram destruídos, e moradores tiveram que ser evacuados enquanto os bombeiros controlavam o fogo.
Curiosamente, recentemente a Mercedes também emitiu um alerta nos Estados Unidos, orientando proprietários de modelos equipados com baterias da Farasis a carregarem seus veículos em áreas externas por precaução.
Cerca de 3.000 veículos estão envolvidos no caso
De acordo com a KFTC, aproximadamente 3.000 veículos equipados com baterias da Farasis foram vendidos na Coreia do Sul entre junho de 2023 e agosto de 2024, gerando cerca de 281 bilhões de won (aproximadamente US$ 191 milhões) em receita.
A multa de US$ 7,6 milhões representa o valor máximo permitido pela legislação sul-coreana, equivalente a cerca de 4% das vendas relacionadas ao caso.
A Mercedes-Benz Korea informou que discorda da decisão e que pretende recorrer na Justiça.
Conclusão
O caso reforça como a transparência na indústria de veículos elétricos se tornou cada vez mais importante. Com as baterias sendo um dos componentes mais caros e estratégicos dos EVs, detalhes como fornecedor, tecnologia e origem ganham peso tanto para consumidores quanto para reguladores.
Para montadoras como a Mercedes-Benz, que competem em um segmento premium, clareza nas informações técnicas e comerciais pode ser decisiva para manter a confiança do mercado em um setor que evolui rapidamente.