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Elétricos|Por Redação AutoHub|Publicado em |Atualizado em

Nissan Leaf e terras raras: redução de disprósio não significa eliminação

A engenharia redistribuiu disprósio no ímã para usar menos material sem perder resistência térmica. A solução documentada é uma redução específica, não independência completa da cadeia mineral.

Nissan Leaf elétrico visto de frente
Imagem: Nissan/divulgação

Terras raras não são um único material, e retirar parte do disprósio não equivale a eliminar todos os elementos usados em ímãs, motores e eletrônica de potência.

O dado confirmado nasceu em 2012

A Nissan informa que desenvolveu com um fornecedor um motor elétrico que reduziu em 40% o uso de disprósio em comparação com motores elétricos convencionais da referência adotada pela empresa. O componente passou a ser usado em uma atualização do Leaf lançada no Japão em novembro de 2012.

O número descreve disprósio, período e base de comparação específicos. Ele não autoriza afirmar que todo Leaf posterior deixou de usar terras raras, nem que o veículo inteiro ficou livre de materiais críticos.

Difusão no contorno dos grãos preserva a resistência térmica

Ímãs de neodímio podem receber disprósio para suportar temperaturas elevadas sem perder propriedades magnéticas. Na solução descrita pela Nissan, o elemento deixa de ser distribuído uniformemente e se concentra nas fronteiras dos grãos do material.

A técnica mantém a resistência térmica com menor quantidade de disprósio. O ganho é relevante porque reduz exposição a preço e oferta de um insumo concentrado geograficamente, mas continua dependente de engenharia de materiais, fornecedores e controle industrial.

Traseira do novo Nissan Leaf
Imagem: Nissan Media Center

Outros motores não podem ser transferidos automaticamente ao Leaf

A Nissan relata que continuou reduzindo terras raras pesadas depois da aplicação no Leaf. A empresa cita ímãs com 85% menos desses elementos no Note e-POWER de 2020, comparado a 2010, e um motor sem ímã no Ariya de 2022 que não contém disprósio.

Esses exemplos mostram uma trajetória corporativa, não uma ficha única compartilhada por todos os carros. Arquitetura de motor, potência, refrigeração e ano precisam ser identificados antes de atribuir uma solução do Note ou do Ariya a outra geração do Leaf.

A nova geração norte-americana é outra camada da pauta

Nos Estados Unidos, a Nissan anuncia para o Leaf S+ bateria de 75 kWh, 214 hp e até 303 milhas de autonomia estimada pela EPA. A marca também informa recarga de 10% a 80% em aproximadamente 35 minutos nas condições divulgadas.

Esses dados descrevem versão e homologação norte-americanas. Eles não comprovam composição de ímãs, versão brasileira, alcance pelo Inmetro ou tempo real em qualquer carregador. Misturar especificação de mercado com pesquisa de materiais produz uma conclusão maior que as fontes.

Lateral do novo Nissan Leaf
Imagem: Nissan Media Center

Brasil continua dependente de anúncio próprio

Até a atualização desta matéria, a nova configuração norte-americana não tinha ficha, preço e cronograma confirmados para o Brasil. Importação, conector, assistência, bateria e homologação precisam ser definidos localmente.

Para o leitor, a conclusão útil é dupla: a Nissan documenta redução progressiva de materiais críticos, e a oferta comercial do Leaf precisa ser lida por geração e país. Nenhuma dessas afirmações sustenta a expressão 'sem terras raras'.

Engenharia de materiais

O que foi reduzido

A ficha separa a tecnologia aplicada ao Leaf em 2012 dos exemplos posteriores da Nissan e da nova geração anunciada nos Estados Unidos.

01

Materiais e motores

Leaf atualizado em 201240% menos disprósio, segundo a Nissan
MétodoDifusão no contorno dos grãos
ObjetivoManter resistência térmica com menos Dy
Eliminação total no LeafNão declarada
Ariya 2022Exemplo posterior de motor sem ímã e sem Dy
02

Leaf norte-americano

Versão destacadaS+
Bateria75 kWh
Potência214 hp
AutonomiaAté 303 milhas EPA
BrasilSem ficha da nova configuração confirmada

Análise editorial

Opinião AutoHub

Engenharia

Eficiência de material também é desempenho

Reduzir um insumo crítico sem perder tolerância térmica melhora custo, resiliência e capacidade de produção. É um ganho menos visível que potência ou autonomia, porém decisivo para escalar veículos elétricos.

Rigor

Uma redução específica não deve receber um slogan absoluto

Dizer que o Leaf eliminou terras raras apaga quais elementos, motores e anos estão em discussão. A precisão preserva o avanço real da Nissan sem criar uma independência que a empresa não anunciou.

Perguntas frequentes

O Nissan Leaf não usa mais terras raras?+

A Nissan documenta redução de disprósio em um motor do Leaf de 2012, não a eliminação de todas as terras raras em todas as gerações.

Quanto disprósio a Nissan reduziu no Leaf?+

A fabricante informa redução de 40% em relação aos motores elétricos convencionais usados como referência no desenvolvimento de 2012.

Como a Nissan reduziu o disprósio?+

Com difusão no contorno dos grãos do ímã, concentrando o material onde ele ajuda a preservar a resistência térmica.

Qual é a autonomia do novo Leaf nos Estados Unidos?+

A Nissan anuncia até 303 milhas estimadas pela EPA para a versão S+. O número não equivale ao Inmetro.

O novo Nissan Leaf está confirmado no Brasil?+

Até a atualização desta matéria, não havia ficha, preço ou cronograma local da nova configuração norte-americana.

Fontes Consultadas