Vida longa ao V12: Rolls-Royce Motor Cars adia eletrificação total e mantém motores V12 em produção
Marca britânica recua na meta de se tornar 100% elétrica diante da forte demanda por modelos de luxo com motores de 12 cilindros
A transição para veículos elétricos continua sendo uma prioridade global para a indústria automotiva, mas algumas marcas de ultra luxo estão mostrando que ainda existe espaço — e mercado — para motores tradicionais de grande cilindrada. A Rolls-Royce Motor Cars decidiu adiar seus planos de se tornar uma fabricante exclusivamente elétrica e reafirmou o compromisso de manter os motores V12 em produção pelo maior tempo possível.
A decisão reflete uma realidade cada vez mais evidente: apesar da pressão regulatória e dos investimentos em eletrificação, clientes de altíssimo padrão ainda demonstram forte preferência por veículos com motores potentes, silenciosos e extremamente refinados, características que fizeram dos V12 um símbolo histórico da marca britânica.
O mercado de luxo ainda prefere tradição à eletrificação
Nos últimos anos, praticamente todas as montadoras anunciaram metas ambiciosas para migrar suas linhas para veículos totalmente elétricos, impulsionadas principalmente pelas metas ambientais da União Europeia, que pretende restringir veículos a combustão a partir de 2035.
No entanto, a adesão do consumidor ao carro elétrico não avançou na velocidade esperada, especialmente entre marcas de luxo extremo.
Segundo informações publicadas pelo jornal britânico The Times, a Rolls-Royce Motor Cars abandonou oficialmente a meta de operar apenas com veículos elétricos até 2030.
Rolls-Royce Spectre perde força, enquanto o Rolls-Royce Cullinan segue dominando as vendas
O Rolls-Royce Spectre, primeiro modelo 100% elétrico da fabricante, chegou ao mercado com grande expectativa e vendas iniciais positivas. Porém, o cenário mudou rapidamente.
Com o enfraquecimento da demanda global por elétricos, os pedidos pelo cupê elétrico diminuíram consideravelmente. Em 2025, suas vendas caíram 47%.
Enquanto isso, o Rolls-Royce Cullinan com motor V12 continua sendo o modelo mais vendido da marca, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtos da linha.
Até mesmo o Rolls-Royce Ghost, também equipado com motor de 12 cilindros, permanece extremamente relevante no portfólio.
Outras marcas de luxo também estão revendo planos elétricos
A Rolls-Royce Motor Cars não está sozinha nesse movimento.
A Lamborghini decidiu interromper o desenvolvimento adicional de seu crossover elétrico, enquanto a Aston Martin adiou o lançamento de sua linha elétrica. Já a Bentley Motors continua investindo em eletrificação, mas também reduziu o ritmo de alguns projetos.
Segundo o CEO da Rolls-Royce, Chris Brownridge: "Para cada cliente que ama um veículo elétrico, existe outro que não gosta."
O CEO da Lamborghini, Stephan Winkelmann, foi ainda mais direto ao afirmar que a demanda por um elétrico vindo de Sant'Agata Bolognese está "próxima de zero".
O V12 ainda resiste, mas enfrenta pressão regulatória
Apesar do fôlego atual, os motores V12 seguem ameaçados pelas regras ambientais cada vez mais rígidas da União Europeia.
A controladora da Rolls-Royce, BMW, afirma que continuará atualizando o motor 6.6 litros para mantê-lo dentro das exigências legais.
Mesmo assim, o futuro desses motores depende diretamente de possíveis exceções regulatórias para fabricantes de baixo volume.
Conclusão
A decisão da Rolls-Royce Motor Cars mostra que, no segmento ultraluxuoso, a eletrificação ainda precisa conviver com a tradição.
Enquanto muitos clientes continuam priorizando exclusividade, suavidade mecânica e presença sonora, o V12 permanece como um dos maiores símbolos da engenharia automotiva de prestígio.
Mas a grande questão continua aberta: por quanto tempo o mercado e as regras ambientais permitirão que esses motores sobrevivam?