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Notícias | Por Redação AutoHub |

Volkswagen reage ao avanço das chinesas no Brasil e manda recado ao mercado

Durante o lançamento do novo Tiguan, a Volkswagen reconheceu a pressão das marcas chinesas, mas afirmou que segue confiante na força da operação brasileira, um de seus pilares globais de vendas

Torre da Volkswagen com o logotipo da marca em destaque
Foto: Volkswagen AG / uso editorial

A Volkswagen decidiu responder de forma direta a um dos movimentos mais visíveis do mercado automotivo brasileiro em 2026. Durante o lançamento do novo Tiguan, a marca reconheceu o avanço das fabricantes chinesas no País, mas afirmou que segue confiante na força de sua operação regional.

A declaração foi feita por Alexander Seitz, CEO da Volkswagen América do Sul. Ao comentar o novo cenário competitivo, o executivo afirmou que existe uma ameaça representada pelos novos competidores, especialmente os chineses, mas disse que a marca não teme essa disputa.

A fala ganhou repercussão porque foi dada em um momento importante para a empresa. O posicionamento veio no lançamento do novo Tiguan, SUV que passa a reforçar a linha da Volkswagen no Brasil em uma fase de pressão maior por participação de mercado, imagem de marca e presença em segmentos estratégicos.

Segundo a cobertura especializada do lançamento, o novo Tiguan chega ao Brasil na versão R-Line, com motor 2.0 turbo EA888 de 272 cv, preço de R$ 299.990 e entregas previstas para maio. No mesmo evento, Ciro Possobom, CEO e presidente da Volkswagen do Brasil, afirmou que o modelo chega para reforçar a presença da marca no segmento de SUVs.

569.174
unidades vendidas na América do Sul em 2025
436.336
veículos vendidos no Brasil em 2025
17,1%
participação de mercado no Brasil
72
anos de Volkswagen no Brasil

O peso do Brasil ajuda a explicar o tom da Volkswagen

O posicionamento da marca também se apoia no desempenho recente da operação brasileira. Em 2025, a Volkswagen vendeu 436.336 veículos no Brasil e alcançou 17,1% de participação de mercado. Na América do Sul, somou 569.174 unidades, resultado que a própria companhia classificou como o maior crescimento global da Volkswagen em volume no período.

Esse desempenho ajuda a explicar por que o tema ganhou espaço no discurso da empresa. O Brasil continua entre os mercados mais relevantes da Volkswagen no mundo e hoje aparece como o terceiro maior mercado global da marca, atrás apenas de China e Alemanha.

Na prática, isso significa que qualquer mudança importante no ambiente competitivo brasileiro tem peso real dentro da estratégia regional da montadora. Por isso, a fala de Seitz não soa lateral. Ela foi dada justamente quando a Volkswagen tentava mostrar produto, presença e capacidade de reação em um mercado mais disputado.

Vista da fábrica da Volkswagen em Wolfsburg

Foto: Volkswagen AG / uso editorial


Uma história que começou em 1953

A história da Volkswagen no Brasil começou em 23 de março de 1953. Poucos anos depois, a marca iniciaria a produção nacional de modelos que ajudariam a consolidar sua presença no mercado brasileiro. A Kombi começou a ser produzida localmente em 1957, e o primeiro Fusca montado no País foi lançado em 1959.

Em 2026, a Volkswagen do Brasil soma 72 anos de atuação, mais de 26,3 milhões de veículos produzidos e quatro fábricas no País. Hoje, a empresa mantém três unidades de automóveis, em São Bernardo do Campo, Taubaté e São José dos Pinhais, além da fábrica de motores em São Carlos.

Ao longo dessas décadas, a Volkswagen atravessou diferentes fases do mercado brasileiro. Passou pelos anos de consolidação da indústria nacional, acompanhou mudanças no perfil de consumo, renovou portfólio em diferentes momentos e construiu uma presença industrial que continuou relevante mesmo com a transformação do setor ao longo do tempo.

Alguns números ajudam a dimensionar essa trajetória. O Gol acumulou mais de 8,5 milhões de unidades. A Kombi passou de 1,5 milhão de unidades produzidas no Brasil. Já o Fusca superou a marca de 3,1 milhões de unidades vendidas no mercado brasileiro.

Esse histórico ajuda a dar outra dimensão à fala feita no lançamento do novo Tiguan. Ao reconhecer a pressão dos novos rivais e, ao mesmo tempo, reafirmar confiança na própria operação, a Volkswagen tenta sustentar a posição que construiu no Brasil ao longo de mais de sete décadas.

Volkswagen no Brasil em números

A operação brasileira da marca reúne hoje alguns dos principais números de sua trajetória no País.

72 anos de atuação no Brasil

26,3 milhões de veículos produzidos

4 fábricas em operação no País

8,5 milhões de unidades do Gol

1,5 milhão de unidades da Kombi no Brasil

mais de 3,1 milhões de Fuscas vendidos no mercado brasileiro


O que fica desse posicionamento

Ao reconhecer publicamente a força crescente dos rivais chineses, a Volkswagen mostra que enxerga uma mudança real no ambiente competitivo brasileiro. Ao mesmo tempo, a marca sustenta que pretende enfrentar essa nova fase apoiada em resultado recente, estrutura industrial, presença local e investimento.

Na Região América do Sul, a Volkswagen informou investimento total de R$ 20 bilhões até 2029, somando os valores destinados ao Brasil e à Argentina. O dado reforça que a resposta da empresa à nova disputa não está apenas no discurso, mas também em planejamento industrial e comercial de médio prazo.

No lançamento do novo Tiguan, a Volkswagen deixou clara a linha que pretende adotar: reconhece a mudança do mercado, admite a pressão dos novos concorrentes e afirma que quer seguir entre os protagonistas da indústria automotiva brasileira.

Fontes: Automotive Business; Volkswagen do Brasil; Volkswagen Newsroom.