Bentley T Series Mulliner Coupe 1968: um clássico britânico em 98 unidades
Com motor V8 6.230 cc, 220 bhp, apenas 98 unidades produzidas e carroceria assinada pela H.J. Mulliner Park Ward, o cupê de 1968 voltou ao acervo histórico da Bentley para preencher um capítulo importante da evolução de design da marca

Há Bentley históricos que chamam atenção pela brutalidade mecânica. Outros ficam marcados pela elegância. O T Series Mulliner Coupe de 1968 pertence claramente ao segundo grupo. Baixo, longo, discreto e refinado, ele nasceu em uma fase de transformação profunda da marca britânica e hoje ocupa um espaço raro dentro da Heritage Collection.
O modelo WLO 266G é um dos apenas 98 exemplares do T Series coupe produzidos com carroceria da H.J. Mulliner Park Ward. Em um universo em que a maioria dos carros equivalentes acabou identificada como Rolls-Royce Corniche, essa configuração Bentley se tornou uma peça bem mais rara.
Mais do que um cupê raro, o carro ajuda a contar um momento decisivo da fabricante. Foi na geração T Series que a Bentley adotou a construção monobloco, abandonando a lógica tradicional de montar chassi e powertrain para depois enviar o conjunto a um encarroçador. A mudança alterou a forma de produzir Bentley e abriu caminho para novos padrões de espaço, conforto e comportamento dinâmico.

A mudança técnica da Bentley nos anos 1960
Quando o T Series foi apresentado em 1965, a Bentley entrou em uma nova etapa de produção. O carro adotou carroceria monobloco, algo que representou uma ruptura em relação aos modelos anteriores. Mesmo sendo menor por fora do que seus predecessores, o T oferecia mais espaço para passageiros, especialmente no banco traseiro, e também mais capacidade para bagagem.
O salto não ficou restrito à estrutura. A Bentley destacou uma série de avanços importantes para a época, como suspensão independente nas quatro rodas, controle automático de altura conforme a carga, freios a disco nas quatro rodas, direção assistida mais leve, transmissão automática aprimorada, bancos dianteiros elétricos com oito ajustes e tanque de combustível maior.
O motor V8 de 6¾ litros também recebeu um cabeçote redesenhado, solução que permitiu elevar a velocidade máxima para 118 mph, equivalentes a 190 km/h. Era um número respeitável para um cupê de luxo britânico do período.


Mulliner Park Ward e a rara interpretação de duas portas
A mudança para a construção monobloco exigiu uma reorganização da H.J. Mulliner Park Ward, encarroçadora interna da marca. A missão era adaptar o novo conceito técnico para carrocerias mais exclusivas sobre a base do T Series. Dali nasceram duas variantes: um saloon de duas portas, apresentado em março de 1966, e um drophead coupe, lançado em setembro de 1967.
Alguns painéis dianteiros eram compartilhados com o sedã de quatro portas, mas o restante da carroceria era próprio. O resultado foi um cupê de proporções clássicas, acabamento refinado e presença muito distinta dentro da linha Bentley daquele período.
Mesmo com preço cerca de 50% superior ao do sedã padrão, a procura foi forte desde o início. Ainda assim, a maior parte da produção equivalente saiu com emblema Rolls-Royce Corniche, acima de 500 exemplares. Isso ajuda a mostrar como o Bentley T Series coupe se tornou hoje uma raridade bem mais difícil de encontrar.



WLO 266G e o retorno ao acervo da marca
O exemplar preservado pela Bentley foi registrado em 15 de novembro de 1968 para o primeiro de seus cinco antigos proprietários. Décadas depois, em 2003, recebeu uma mudança de cor, saindo do marrom para um preto mais tradicional.
O carro passou a integrar a Heritage Collection da Bentley em 2023. Segundo a própria marca, sua entrada no acervo ajuda a preencher uma lacuna na evolução de design entre o T Series saloon de 1965 e o Continental Drophead de 1984.
Isso dá ao WLO 266G um papel que vai além da raridade numérica. Ele também funciona como peça de ligação dentro da narrativa histórica da Bentley, mostrando como a marca transitou do luxo clássico dos anos 1960 para interpretações mais exclusivas e personalizadas nas décadas seguintes.



Ficha técnica oficial
T Series Mulliner Coupe por produção, motor e chassi
A ficha mostra como esse cupê raro é mais que uma carroceria bonita: ele marca a transição monobloco da Bentley.
Identidade
01Modelo
1968 T Series Mulliner Coupe
Registro
WLO 266G
Período do T Series
1965-1971
Produção do cupê
98 unidades
Carroceria
Coupe, 2 portas, 4 lugares
Encarroçadora
H.J. Mulliner Park Ward
Primeiro registro
15 de novembro de 1968
Entrada na coleção
Heritage Collection da Bentley em 2023
Motor e transmissão
02Motor
V8 6.230 cm³
Comando
Varetas, tuchos hidráulicos e comando central de ferro fundido acionado por engrenagens
Cabeçote e bloco
Cabeçote de alumínio com sedes de aço; bloco de alumínio com camisas úmidas de ferro fundido
Potência
220 bhp a 4.000 rpm
Câmbio
Automático de 3 marchas
Chassi e suspensão
03Estrutura
Monobloco de aço com subchassis
Suspensão dianteira
Independente por triângulos sobrepostos, molas helicoidais e barra estabilizadora
Suspensão traseira
Independente por braços arrastados, molas helicoidais e barra estabilizadora nas versões posteriores
Altura
Controle automático independente de altura na dianteira e traseira
Freios
Hidráulicos servoassistidos
Dimensões e desempenho
04Entre-eixos
3.035 mm
Comprimento
5.170 mm
Largura
1.825 mm
Velocidade máxima
118 mph (190 km/h)
0 a 62 mph
10,9 s
A ficha mostra como o T Series foi visto como um Bentley muito mais moderno do que a tradição da marca sugeria. Havia luxo, mas também um pacote técnico mais avançado, com foco em dirigibilidade, conforto de marcha e refinamento.


Um Bentley raro em um capítulo pouco óbvio da história da marca
O T Series Mulliner Coupe não tem a fama explosiva dos Bentley de competição nem o peso simbólico dos grandes continentais da era pré-guerra. Ainda assim, é justamente essa discrição que o torna tão interessante. Ele representa um momento em que a Bentley procurava combinar tradição, modernização industrial e sofisticação de carroceria em um formato mais exclusivo.
Hoje, com apenas 98 exemplares produzidos e presença limitada mesmo entre colecionadores, o modelo se destaca como uma das interpretações mais raras da fase T Series. No caso do WLO 266G, a relevância cresce porque o carro passou a integrar o acervo oficial da marca, transformando-se em referência de design, engenharia e preservação histórica.
Opinião AutoHub
O T Series Coupe vale pela discrição rara
A força do cupê está no contraste entre produção mínima, construção Mulliner Park Ward e a elegância silenciosa de um Bentley pouco óbvio.
raridade
98 unidades
O número baixo muda a leitura do carro: não é apenas luxuoso, é uma peça de catálogo difícil de repetir.
carroceria
Mulliner Park Ward
A construção especial dá ao T Series uma presença mais pessoal do que a dos sedãs convencionais da mesma família.
coleção
Luxo discreto
O apelo está em acabamento, procedência e proporção elegante, sem depender de agressividade visual.
Perguntas frequentes
Qual é o lugar de Bentley T Series Mulliner Coupe 1968: um clássico britânico em 98 unidades entre os carros antigos?+
O modelo combina relevância histórica, soluções técnicas e presença cultural suficiente para seguir lembrado entre os clássicos.
Quais dados técnicos ajudam a entender o modelo?+
Identidade, motor, desempenho, chassi, produção e legado ajudam a ler o projeto com clareza, preservando lacunas quando a fonte pública não crava um número.
As imagens e dados usam fontes oficiais?+
A checagem usa o registro Bentley Heritage do WLO 266G para produção de 98 unidades, carroceria Mulliner e dados de chassi.
Fontes consultadas
A apuração do T Series Mulliner Coupe se apoia no registro Bentley Heritage do WLO 266G, incluindo produção, chassi, dimensões e desempenho.
Bentley Motors Heritage Collection
Registro do WLO 266G usado para produção, motor, estrutura monobloco, suspensão, dimensões e desempenho.
https://www.bentleymotors.com/en.html